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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Propostas de redações para o III Simulado do 4º Bimestre

O TEMA ESCOLHIDO FOI:

Tema: Felicidade e Sociedade de Consumo

            O carro do ano, a roupa da estação, o corpo perfeito, o mais novo modelo de ipad, enfim, quem não deseja possuir todos esses quesitos? O poder de consumo, na atualidade, tornou-se referência de felicidade. As pessoas se matam trabalhando cada vez mais buscando novos desejos a serem saciados. Não há tempo para saúde, família, realizações internas, tempo para si, o indivíduo feliz é aquele que consegue comprar cada vez mais. Será que um dia ele estará satisfeito e completo ou o desejo por consumir acarretará num vazio cada vez maior? Será mesmo que a felicidade está apenas no ter e poder consumir coisas? Será que ainda há algo que o dinheiro

Proposta : Dissertação Argumentativa;

            Neste gênero textual, você possui a oportunidade de defender um posicionamento e tentar persuadir seu interlocutor de sua posição. Para isso, mobilize fatos, dados, exemplos, analise e reflita em torno da problemática do tema.

Observações

 Use sua realidade social, pessoal , intelecutal e até mesmo fictícia. Em terceira pessoa do Discurso indireto (geral social)
_ Deverá estar escrito na Linguagem Formal Culta da Língua Portugesa;
_ Não poderá ser narrativo;
_ Deverá ter no mínimo 10 linhas;
_ Dê título, compatível com sua produção;

 
Deixe sua melhor nota...na nossa última Avaliação..prepare-se para o Ensino Médio por aqui...faça seus rascunhos dos temas...um deles será do Simulado...boa prova! Seus lindos da profe!



PtD: Profª Wilm@

Redação da Avaliação Bimestral


Nota:9, 5
O consumo e a verdadeira felicidade
Atualmente, as pessoas se preocupam muito com o consumo, deixando de lado, fatos importantes de sua própria vida.O poder de consumir, tornou-se uma maneira de ser feliz, ou seja, não se dão conta de que a verdadeira felicidade, está dentro de si, em sua família e seus amigos.
Os consumistas, geralmente, são influenciados, por exemplo, pela televisão, onde aprendem, de forma incorreta, que para ser feliz, precisamos adquirir todos os produtos modernos de lançamento.
Aluna:Camila Agatha 9° A

Leia a proposta e prepare-se para o Simulado
Dos temas abaixo, um deles será da Avaliação


Proposta de Gênero: Dissertação Argumentativa


TEMA: Autoimagem e publicidade

Antes e depois do rosto da atriz Renée Zellweger
Antes e depois o rosto de Renée Zellweger Fonte Gety Imagens

Direto ao ponto:

A imagem corporal é a ideia que cada pessoa tem sobre o seu corpo e ela tem papel central na construção da nossa identidade. É através do nosso corpo e de seus movimentos, postura, odores e gostos que projetamos nossa autoimagem aos outros e ao mundo. Essa construção é um processo permanente, que envolve fatores físicos, emocionais e sociais.
Exemplo de transformação bastante comentado na segunda quinzena de outubro foi a atriz Renée Zellweger.
Segundo o psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981), a formação da imagem corporal começa na infância, no que ele descreve como "estádio do espelho", ou fase do espelho. De acordo com a teoria, essa fase se estende dos seis meses aos dois ou três anos de idade, quando a criança passa se perceber como um corpo unificado, e não mais fragmentado, completado pela mãe. Nessa idade, se colocada em frente a um espelho, a criança se reconhece como indivíduo, iniciando a sua construção do “eu”.
Em seus estudos, o norte-americano J.K. Thompson, professor de psicologia na Flórida (EUA) e referência no tema imagem e corpo, elencou três componentes para a formação do conceito de imagem corporal. O primeiro, o componente perceptivo, está ligado à percepção da nossa própria aparência física; o segundo, o subjetivo, envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de preocupação e ansiedade a ela associada; e o último, o comportamental, que destaca as situações que as pessoas evitam por sentirem-se desfavoráveis devido à sua aparência corporal.
O grande dilema do mundo moderno é adequar essa imagem corporal aos padrões estéticos difundidos pela sociedade. Uma pessoa com peso ideal ou malhada é sinônimo de pessoa saudável? Nem sempre. No entanto, a ideia de saúde que se fortaleceu no século 20 foi a da cultura da “boa forma” e da exibição do corpo impulsionada pelo boom da indústria do fitness e pelos modelos de comportamento e beleza adotados pela indústria da publicidade.

Magreza x obesidade: efeitos de diferentes consumos pelo corpo

Quando falamos de corpo, consumimos não só alimentos, mas padrões, comportamentos, roupas e atitudes sempre buscando a (auto) imagem dita ideal. Nessa busca, obesos sofrem por serem considerados “fora do padrão”; jovens insatisfeitas com sua aparência e peso recorrem a dietas inadequadas e acabam desenvolvendo transtornos alimentares em busca de uma magreza exagerada. Há quem recorra a cirurgias plásticas para alterar o corpo, muitas vezes, sem necessidade, ou em busca da eterna juventude.
No final de outubro, a atriz Renée Zellweger chamou atenção e virou notícia em todo o mundo após aparecer em um evento com uma aparência completamente diferente, levantando especulações sobre o uso de intervenções como plástica e botox.
Especialistas levantaram inúmeras possibilidades para explicar a mudança radical da atriz, como perda de peso em excesso, redução do volume de cabelo, aplicação de botox, retirada de pele e bolsas das pálpebras superiores, inserção de próteses no rosto, entre outros procedimentos. A atriz divulgou um comunicado no qual se diz "feliz" pelas pessoas terem reconhecido que ela está diferente e que ela está cuidando da saúde como nunca.

Nessa discussão, duas práticas ligadas 
à construção da nossa imagem corporal não podem ficar de fora: a dieta e o exercício físico, comportamentos saudáveis quando feitos com equilíbrio, prazer e acompanhamento profissional, mas que às vezes tornam-se inimigos da saúde.
A decisão de fazer uma cirurgia plástica ou uma dieta costuma estar relacionada à insatisfação com nosso corpo. No entanto, quando feita de modo radical, a dieta pode levar a transtornos alimentares devido a maus hábitos como beber apenas água, pular refeições, tomar remédios, entre outros.
Não à toa, transtornos alimentares como a anorexia e bulimia são, hoje, considerados também reflexos de uma distorção da imagem corporal. Esses transtornos são caracterizados por um padrão de comportamento alimentar gravemente perturbado, um controle patológico do peso corporal e por distúrbios da percepção da imagem corporal. No caso da anorexia nervosa, a pessoa desenvolve um medo de ganhar peso mesmo estando abaixo ou com o peso considerado ideal.
A febre das dietas atinge especialmente as adolescentes, que aderem à prática sem estimar suas consequências. Essas dietas são facilmente encontradas na internet e compartilhadas nas redes sociais, hoje, o principal meio de exposição da autoimagem entre esse público
Sobre essa questão, Phillippa Diedrichs, pesquisadora do Centro para Pesquisa em Aparência da Universidade do Oeste da Inglaterra, vê uma ligação entre redes sociais e a preocupação com o chamado “look”. Para ela, “quanto mais tempo se passa no Facebook, maior a probabilidade das pessoas se enxergarem como objetos". Esse excesso de exposição e interação -- nem sempre positiva com a opinião alheia-- favorece a ansiedade.
Na opinião de Diedrichs, a resposta para amenizar a ansiedade com relação à aparência é defender uma diversidade maior na mídia, pois não há apenas uma forma de ser saudável e não há uma aparência ideal.
Na outra ponta do consumo, temos o problema da obesidade, acúmulo de gordura no corpo. A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública do século 21 e o problema é grave quando falamos de obesidade infantil.
Crianças com sobrepeso e obesidade são mais propensas a desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares ainda jovens e, numa idade mais avançada, doenças crônicas associadas à alimentação. Além desses problemas, uma pesquisa realizada em 2014 pela Faculdade de Medicina da UNESP, em Botucatu (SP), encontrou evidências de que o excesso de peso pode, a longo prazo, aumentar o risco de desenvolver osteoporose.
No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que, para resolver o problema, é preciso vencer um adversário de peso: a propaganda. Segundo a OMS-Europa, a propaganda de alimentos nocivos a crianças se mostrou "desastrosamente eficaz" em estimular a obesidade, em especial com o uso das redes sociais para promover alimentos ricos em gorduras, sódio e açúcar, mas pobres em vitaminas, minerais e outros micronutrientes saudáveis. Daí a necessidade de, detectar o problema durante a infância para tentar reverter esse quadro, evitando o consumo frequente de alimentos calóricos e gordurosos.

A pressão sobre o corpo feminino

O culto do corpo e a exigência de um padrão de beleza não é um dilema do mundo moderno.  Ele está relacionado com o ideal de beleza grego, para quem o belo estava associado à aptidão física e a um modo de vida do cidadão grego. O homem belo tinha valores, era culto e politizado, e o conceito de beleza estava mais ligado ao sexo masculino.

Como elenca o filósofo e professor francês Gilles Lipovetsky, a visão da mulher não foi sempre ligada à beleza. “Nas pinturas pré-históricas, as mulheres são retratadas com enormes seios e nádegas, símbolo de fecundidade e não de beleza. Na cultura grega, obcecada pela definição da beleza absoluta e marcada por uma cultura homossexual, Apolo certamente é mais importante do que Vênus. Por fim, na cultura cristã, a beleza da mulher é considerada perigosa, ‘a porta do diabo’”.
Ao longo do tempo, as mulheres se livraram do excesso de roupas e do espartilho, item que vai além de uma simples peça do vestuário quando se fala de padrões para o corpo feminino. Do Renascimento ao início do século 20, os espartilhos representaram um código social ao qual a mulher deveria se adequar. Para uns, a peça que alongava o corpo feminino e reduzia seu contorno curvilíneo mostrava submissão e disciplina. A partir da segunda metade do século 19, o espartilho passou a ter função moral, atribuindo à mulher um aspecto mais respeitável.
Com a emancipação feminina, as mulheres conseguiram se libertar do uso opressivo do espartilho. A peça voltou a ser usada, mas hoje, com materiais flexíveis e ao gosto da mulher. No entanto, novos sofrimentos e sacrifícios passaram a ser submetidos ao corpo feminino.
“A verdade é que a especialização de tipo físico e moral da mulher, em criatura franzina, neurótica, sensual, religiosa, romântica, ou então, gorda, prática e caseira, nas sociedades patriarcais e escravocráticas, resulta, em grande parte dos fatores econômicos, ou antes, sociais e culturais, que a comprimem, amolecem, alargam-lhe as ancas, estreitam-lhe a cintura, acentuam-lhe o arredondado das formas, para melhor ajustamento de sua figura aos interesses do sexo dominante e da sociedade organizada sobre o domínio exclusivo de uma classe, uma raça e de um sexo”, escreveu o cientista social brasileiro Gilberto Freyre, em “Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado e desenvolvimento do urbano”.
Para a escritora e historiadora brasileira Mary Del Priore, a identidade do corpo feminino corresponde ao equilíbrio entre a tríade beleza-saúde-juventude. No caso do corpo feminino, os padrões para compor essa tríade mudam com o tempo. Como escreve Liliany Samarão no artigo “O espetáculo da publicidade: a representação do corpo feminino na mídia”, “o corpo da mulher foi submetido a um ritmo acelerado – e padronizado – de mudanças, seja nos padrões, nas medidas, nos estilos, nas épocas históricas. O corpo é o efeito dos discursos que dão consistência simbólica à vida social. (...) O corpo virou o capital da mulher no século 21”.
Dentro dessa lógica e obsessão por corpos magros ou musculosos, nosso corpo parece se aproximar cada vez menos de um corpo humano, para se tornar cada vez mais um objeto de design.
Leia e identifique no primeiro parágrafo, o tema, as causas, após as consequências e argumentos, em seguida as possíveis propostas de solução para o tema...faça seu rascunho na linguagem formal culta.
pTd: Prof Wilm@

MODELO DE REDAÇÃO COM O TEMA ACIMA, CORRIGIDO PELA UOL

Direto ao ponto
A imagem corporal é a ideia que cada pessoa tem sobre o seu corpo e ela tem papel central na construção da nossa identidade. Essa construção é um processo permanente, que envolve fatores físicos, emocionais e sociais e nos acompanha ao longo da vida.

O grande dilema do mundo moderno é adequar essa imagem corporal aos padrões estéticos impostos pela sociedade. A ideia de saúde que se fortaleceu no século 20 foi a da cultura da “boa forma” e da exibição do corpo impulsionada pelo boom da indústria do fitness e pelos modelos de comportamento e beleza propagados pela indústria da publicidade.

Na busca pela aparência dita ideal, as pessoas recorrem a dietas radicais, tornam-se obcecadas pela magreza extrema, recorrem a cirurgias plásticas nem sempre necessárias, para alterar partes do corpo que não agradam – muitas vezes no julgamento dos outros -- ou para evitar os efeitos do tempo. O corpo feminino é o que mais sente a exigência dos padrões sociais.

A reflexão que pode ser feita é a de até que ponto nos deixamos influenciar por esses fatores externos e até onde estamos dispostos a ir para ter uma imagem física dita perfeita. A dieta, o exercício físico, intervenções cirúrgicas, a vaidade podem ser comportamentos saudáveis quando feitos com equilíbrio e acompanhamento profissional, mas não podem se tornar inimigos do nosso bem-estar e saúde.

Andréia Martins


TEMA: RACISMO Preconceito não é página virada no Brasil; país vive 'falsa democracia racial' segundo ONU

Jogadores do Grêmio entram em campo para o jogo com o Bahia com faixa contra o racismo
Jogadores do Grêmio entram em campo para o jogo com o Bahia com faixa contra o racismo

 Uma cliente que se recusa a ser atendida por uma funcionária negra. Um homem negro que entra em uma loja e é seguido pelo segurança. Um goleiro é chamado de “macaco” pela torcida adversária ou uma menina que tem o cabelo afro chamado de “cabelo ruim”. Situações como essas são vividas diariamente por muitos afrodescendentes no Brasil. Os negros são 50,7% da população brasileira, mas 126 anos após a edição da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil, o país ainda enfrenta o preconceito racial de parcela da sociedade.
Em setembro deste ano, o Grupo de Trabalho das Organizações das Nações Unidas sobre Afrodescendentes publicou um relatório apontando que no Brasil oracismo é “estrutural e institucional”. Para a organização, nosso país viveria em uma “falsa democracia racial”, que nega a existência do racismo devido à miscigenação entre diferentes povos e raças.
No documento, a ONU sugere medidas como garantir a permanência de estudantes negros cotistas nas universidades, prevenir a violência contra mulheres e jovens negros, elaborar um plano nacional de controle e treinamento das Polícias Militares (PMs), abolir o auto de resistência, aprimorar o ensino de história e cultura afrobrasileira nas escolas, agilizar e desburocratizar a titulação de terras quilombolas e prover recursos financeiros e humanos para os órgãos municipais e estaduais de combate ao racismo.
Algumas das medidas sugeridas pela ONU já foram implantadas no país, como a instituição das cotas para negros na educação e no serviço público, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o Plano Juventude Viva, a lei de 2003 que tornou obrigatório o ensino dahistória e cultura afrobrasileira e africana nas escolas, entre outros.
No entanto, dados do IBGE reforçam a dimensão do problema mostrando a grande desigualdade social entre raças no país. O desemprego entre negros é 50% maior do que entre a população branca -- que têm expectativa de vida seis anos maior do que os afrodescendentes. A população negra tem 1,6 ano de estudo a menos que a branca; representa 65,1% das vítimas de homicídios; e sustenta taxa de mortalidade infantil 60% maior que a da  população branca.
São recorrentes os episódios de racismo nas atividades desportivas do Brasil, principalmente em partidas de futebol. O último deles envolveu o goleiro Mário Lúcio Duarte Costa, o Aranha, do Santos, vítima de agressões racistas em disputa pela Copa do Brasil contra o Grêmio, em Porto Alegre (RS), em agosto deste ano. A torcida do time adversário comparou o jogador a um macaco, entre outros insultos racistas.
Três torcedores gaúchos foram indiciados por injúria racial, crime caracterizado por agressões verbais direcionadas a uma pessoa com a intenção de abalar o psicológico dessa vítima, utilizando elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência (art. 140, § 3.º, CP).
Foi em 1988, com a promulgação da Constituição que está em vigor, que a prática do racismo passou a ser considerado um crime inafiançável e imprescritível. Ao contrário da injúria racial, os crimes de racismo, expressos na Lei n. 7.716/89, são inafiançáveis. O crime de racismo consiste em praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista é de reclusão de 1 a 3 anos, além de multa.
A lei considera diversas condutas como crimes de racismo. São exemplos o ato de impedir ou dificultar o acesso de pessoas a serviços, empregos ou lugares, impedir a matrícula em escola, o acesso às forças armadas e, inclusive, obstar por qualquer meio o casamento ou a convivência familiar por razões de preconceito.
Há, ainda, a previsão de crime de fabricação, distribuição ou veiculação de símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.
Em 2003, o governo federal brasileiro criou a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). De acordo com a Seppir, o número de denúncias de racismo dobrou nos últimos anos. Em 2011, a ouvidoria do órgão recebeu 219 denúncias. Em 2012, esse número pulou para 413 e, no ano passado, chegou a 425, praticamente o dobro dos registros de 2011. Existem diversas interpretações para esse aumento, mas especialistas apontam que quanto mais conscientes as pessoas estão sobre seus direitos, mais elas denunciam.
A violência racista não é apenas verbal. Delegacias também registram a violência física a afrodescendentes, como no caso de agressões por skinheads. Existe ainda a perseguição religiosa e cultural. Alguns templos de matriz africana, como da umbanda e camdomblé, são alvos de depredação e perseguição.
A representatividade na política também é uma das bandeiras do movimento negro, visto que hoje, o Congresso Nacional é composto por 8,3% de negros. Para lideranças do movimento, aumentar a participação política dos representantes negros é passo fundamental para a criação de políticas e ações que visem encerrar e combater o preconceito e permitir a igualdade de direitos. 
Da Abolição à República Velha
Depois da queda da monarquia, o fim da escravidão no Brasil, em 1888, e a mudança do regime político-administrativo, as antigas ordens sociais vigentes no Império ainda permaneceram por alguns anos, como a separação entre brancos e negros. 
Durante a República Velha (1889-1930), a doutrina do racismo científico vinda da Europa considerava o negro e índio como raças inferiores e o povo mestiço como “improdutivo e amoral”, que não se adaptaria ao progresso que o Brasil precisava. O negro era visto como uma causa do fracasso da nação e por isso era preciso “branquear” a população. 
A época foi marcada pela chegada da mão de obra imigrante para a expansão da lavoura cafeeira e pela exclusão de muitos negros das oportunidades de emprego e educação. O ex-escravo ficou desassistido. Já no campo cultural, havia uma legislação que proibia as manifestações culturais negras tais como o batuque, o candomblé e a capoeira. 
A ideia de inferioridade determinada pela cor da pele só foi questionada abertamente em 1932, com a publicação de Casa Grande & Senzala, do sociólogoGilberto Freyre. Apesar disso,o acadêmico foi alvo de duras críticas pela sua visão “açucarada” da mestiçagem brasileira, que não considera a violência e a dominação cruel contra o povo negro. No Brasil, foi nessa época que o movimento negro começou a ganhar corpo, buscando a integração à sociedade, preservação da história e cultura negra e a igualdade de direitos.

texto corrigido pela uol sobre racismo!

DIRETO AO PONTO


Uma cliente que se recusa a ser atendida por uma funcionária negra. Um homem negro que entra em uma loja e é seguido pelo segurança ou um goleiro chamado de “macaco” pela torcida adversária.

Situações como essas são vividas diariamente por muitos afrodescendentes no Brasil. Os negros são 50,7% da população brasileira, mas 126 anos após a edição da Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil, o país ainda enfrenta o preconceito racial de parcela da sociedade.

Em setembro deste ano, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que no Brasil o racismo é “estrutural e institucional”. Para a organização, nosso país viveria em uma falsa democracia racial, que nega a existência do racismo devido à miscigenação entre diferentes povos e raças.

O relatório fez algumas recomendações ao Brasil, como garantir a permanência de estudantes negros cotistas nas universidades, prevenir a violência contra mulheres e jovens negros, elaborar um plano nacional de controle e treinamento das PMs, abolir o auto de resistência, aprimorar o ensino de história e cultura afrobrasileira nas escolas, agilizar e desburocratizar a titulação de terras quilombolas e prover recursos financeiros e humanos para os órgãos municipais e estaduais de combate ao racismo.

Algumas dessas medidas já estão em andamento no país, como as cotas e a obrigatoriedade do ensino da cultura afrobrasileira e africana nas escolas, enquanto outras ainda precisam ser concretizadas, como a própria lei que criminaliza o racismo, mas enfrenta barreiras na hora de seu cumprimento.

Carolina Cunha

Tema: Felicidade e Sociedade de Consumo

            O carro do ano, a roupa da estação, o corpo perfeito, o mais novo modelo de ipad, enfim, quem não deseja possuir todos esses quesitos? O poder de consumo, na atualidade, tornou-se referência de felicidade. As pessoas se matam trabalhando cada vez mais buscando novos desejos a serem saciados. Não há tempo para saúde, família, realizações internas, tempo para si, o indivíduo feliz é aquele que consegue comprar cada vez mais. Será que um dia ele estará satisfeito e completo ou o desejo por consumir acarretará num vazio cada vez maior? Será mesmo que a felicidade está apenas no ter e poder consumir coisas? Será que ainda há algo que o dinheiro

Proposta : Dissertação Argumentativa;

            Neste gênero textual, você possui a oportunidade de defender um posicionamento e tentar persuadir seu interlocutor de sua posição. Para isso, mobilize fatos, dados, exemplos, analise e reflita em torno da problemática do tema.

Observações

 Use sua realidade social, pessoal , intelecutal e até mesmo fictícia. Em terceira pessoa do Discurso indireto (geral social)
_ Deverá estar escrito na Linguagem Formal Culta da Língua Portugesa;
_ Não poderá ser narrativo;
_ Deverá ter no mínimo 10 linhas;
_ Dê título, compatível com sua produção;

 
Deixe sua melhor nota...na nossa última Avaliação..prepare-se para o Ensino Médio por aqui...faça seus rascunhos dos temas...um deles será do Simulado...boa prova! Seus lindos da profe!



PtD: Profª Wilm@

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ser inteligente está fora de moda

O negócio é ser "o cara"


"Nada mais brega do que bancar o inteligente", afirmaram recentemente, sem nenhuma vergonha na cara, muitos estudantes ingleses a seus boquiabertos professores. Diante do fato, alguns dos mais brilhantes catedráticos decidiram se reunir na tentativa de explicar o fenômeno

Por: Luis Pellegrini
Na Inglaterra, se ainda não foi banido pelos professores, o adjetivo clever (inteligente) está muito perto disso. Decidiu-se inclusive que, daqui por diante, será preciso tomar cuidado antes de chamar de inteligentes os melhores alunos. Porque, segundo uma pesquisa, são exatamente os melhores da turma os que mais correm risco de cair na prática ativa do bullying (assédio físico ou psicológico aos colegas) para tentar se livrar da pecha de cê-dê-efes. Os professores estão convencidos de que os estudantes, após serem definidos como "inteligentes", se sentem de algum modo marcados. E por isso reagem adversamente. Provas disso? Em numerosos casos, muitos deles se recusam inclusive a retirar os prêmios escolares que ganharam por medo de serem ridicularizados pelos colegas.
Simon Smith, um professor de Essex, foi um dos primeiros a afirmar que, "entre os estudantes de hoje, ser inteligente simplesmente não está mais na moda". "Falei com muitos deles", explica Smith, "e descobri, que na sua opinião, ser inteligente significa, sobretudo, ser chato, possuir uma personalidade sem graça, ser o queridinho dos professores e outras coisas que não podem ser repetidas em público". Seu alerta é sério.

Existe, no entanto, outro aspecto, mais sociológico, ligado aos desenvolvimentos de uma sociedade tipicamente consumista que se agarra aos "mitos" do espetáculo e das celebridades do momento. Ou seja, não mais os grandes escritores e compositores, os cientistas e filósofos, não mais os grandes empreendedores, nem sequer os megagaviões da bolsa de valores e dos bancos constituem os padrões de sucesso e de afirmação social a serem perseguidos. A culpa deve ser atribuída, sobretudo, aos atuais modelos e cânones de celebridade que contribuem para bloquear os jovens, afastando-os do sucesso acadêmico.
Cita-se, por exemplo, um self-made-man como Alan Sugar, popularmente conhecido como "Barão Sugar", empresário britânico, conhecidíssimo personagem da mídia e consultor político. Nascido de família humilde no East End, região pobre de Londres, ele é hoje dono de uma fortuna estimada em US$ 1,2 bilhão. A exemplo de outros homens e mulheres de sucesso contemporâneos, Sugar não costuma ler livros e gosta de se vangloriar das notas baixas que alcançou na escola. Outro exemplo é o do jogador de futebol David Beckham, "um dos tantos protagonistas da vida inglesa na atualidade que não dá, no entanto, a impressão de possuir capacidades intelectuais particulares".
Não menos deprimente foi o panorama desenhado por Ann Nuckley, administradora escolar em Southwark, bairro no sul de Londres. Ela contou que muitos estudantes da sua escola recusam frequentar os estágios e receber os prêmios por suas conquistas. "Preferem adotar como modelo as celebridades do momento, aqueles personagens que transitam pelas revistas de fofoca social, ou as que analisam nos mínimos detalhes a gloriosa existência do último garotão que, da noite para o dia, saiu do anonimato para a luz do estrelato graças a um papel na novela da televisão."
Que fazer diante do quadro? Os 34 mil membros da Associação dos Professores da Inglaterra não têm nenhuma intenção de permanecer passivos. Primeira medida: decidiu-se cancelar o substantivo "fracasso escolar", substituindo-o pelo conceito de "sucesso adiado". Parece meio paliativo, mas, enfim, é alguma coisa. Talvez fosse o caso, lá como aqui, de pressionar as autoridades para que comecem a afirmar que cultura e inteligência são coisas boas, e delas a gente gosta. E procurar as verdadeiras razões dessa perigosa inversão de valores que caracteriza nosso atual momento histórico, no qual os grandes são esquecidos e desprezados e os medíocres são elevados ao olimpo dos deuses de curta duração.
Quando procuramos as causas de hecatombes do gênero (sim, trata-se de uma hecatombe, inclusive do ponto de vista espiritual), melhor não permanecer na superfície. As razões estão sempre mais embaixo e dizem respeito à inquestionável falência ético-filosófica da nossa civilização da produtividade e do consumismo insustentáveis. Que adolescência é sinônimo de crise é coisa mais que sabida, e desde sempre. Pelo menos desde quando os adolescentes éramos nós, inquietos e mudos, ávidos de experiências, perigosos e em perigo. Éramos rebeldes, sim, contra tudo e todos que se contrapunham a nossos desejos. Não confiávamos no bom senso nem na escala de valores dos mais velhos e, como é natural em quem se encontra na fase dos verdes anos, éramos todos donos da verdade absoluta e dela não abríamos mão. Ilusões cujo ímpeto o tempo se encarregou de arrefecer e até mesmo apagar.

Rebeldes. Mas, que me lembre, nunca ouvi nenhum jovem da minha geração afirmar que ser inteligente é ser brega. O que mudou? Segundo as considerações do jornalista italiano Michele Serra, "explodiu o mecanismo que regula a relação entre os direitos e os deveres". Ou, para tentar dizer melhor, entre os desejos e seus limites. Pois vivemos numa era em que, cada vez mais, se perde a consciência dos limites e todos, sobretudo os mais jovens, acham que podem tudo e que nada lhes pode ser negado.
Como poderia ser diferente? A multiplicação dos desejos, no mundo contemporâneo, é contagiosa, exponencial e estruturalmente vital para a multiplicação do consumo. Toda a arte infernal da propaganda comercial contemporânea, por exemplo, é baseada no estímulo desmesurado do desejo. Como fazer, assim sendo, para que a alta criação intelectual, científica ou artística continue sendo mais importante do que a sola vermelha do último sapato desenhado por Christian Louboutin? Ou que o mais recente ensinamento espiritual do dalai lama seja considerado mais valioso e interessante do que o último escândalo na vida de Paris Hilton?
Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/97902/Ser-inteligente-est%C3%A1-fora-de-moda-O-neg%C3%B3cio-%C3%A9-ser-o-cara.htm acesso em 18/11/14 suporte inicial : https://www.facebook.com/fozarandu?pnref=story

pTd: Profª Wilm@
eStOu: ...

domingo, 16 de novembro de 2014

Sexting...saiba mais

Como um sonho ruim


Fotos estampam sorrisos, olhares e caretas. Meninas posam para o próprio celular usando maquiagem, unhas feitas, roupas de festa ou mesmo o uniforme da escola – sozinhas ou acompanhadas dos amigos. Tudo é publicado nos perfis de redes sociais para ser “curtido” – a forma mais rápida e fugaz de aprovação online. Cada “like” em um “selfie” (autorretratos feitos com o celular), gato, comida ou sapato novo é esperado com ansiedade principalmente por crianças e adolescentes que passam cada vez mais tempo postando e checando a própria popularidade nas redes sociais. Uma pesquisa à qual a Pública teve acesso na íntegra em primeira mão, realizada pela ONG Safernet em parceria com a operadora de telecomunicações GVT – que entrevistou quase 3 mil jovens brasileiros de 9 a 23 anos – revela que 62% deles está online todos os dias e 80% tem as redes sociais como seu principal objetivo de navegação. Como acontece no mundo todo, o que prevalece é a autoimagem – não é à toa que “selfie” foi escolhida como a palavra do ano de 2013 do idioma inglês pelo dicionário Oxford. De 2012 para 2013, seu uso aumentou 17.000% e a hashtag #selfie acompanha mais de 58 milhões de fotos na rede social Instagram.
A rotina online de duas garotas que estamparam páginas de portais, jornais e revistas no último mês não era diferente. Giana Fabi, de Veranópolis, interior do Rio Grande do Sul, e Julia Rebeca, de Parnaíba, litoral do Piauí, viviam a maior parte do tempo conectadas. Separadas por mais de 3,8 mil quilômetros, as meninas de 16 e 17 anos, respectivamente, acompanhavam ansiosamente a reação online às autoimagens cuidadosamente construídas que postavam.
“Ela era linda, as fotos dela então…”, é a primeira coisa que lembra Gabriela Souza, amiga próxima de Giana, sobre as muitas curtidas nas fotos do perfil da gaúcha no Facebook. Gabriela, que preferiu dar a entrevista através do bate-papo da rede, lembra que a amiga vivia arrumada, se achava bonita mas se preocupava com o peso, como a maioria das garotas de sua idade. Willian Silvestro, de 17 anos, namorado de Giana na época, também comenta sua beleza: “Ela tinha olhos azuis e gostava de realçar com lápis preto. Era vaidosa e amava maquiagem”. Os dois estavam juntos havia um mês e todas as noites se falavam por cerca de duas horas pelo Skype.


Já Julia Rebeca, diz o primo Daniel Aranha, gostava de pintar as unhas com cores diferentes e mostrá-las nas redes sociais. “Todo dia era uma nova. Tinha fotos no Facebook em que ela mostrava a unha pintadinha, desenhada, decorada que ela mesma fazia”. Além das fotos, Giana e Julia escreviam sobre o dia a dia na escola ou na academia e  postavam músicas e fotos das cantoras preferidas – Miley Cyrus para Julia e Avril Lavigne para Giana.  A piauiense fazia curso técnico de enfermagem e pensava em seguir carreira na área da saúde. Já a gaúcha estava no colegial, mas sonhava em deixar a pequena Veranópolis, de apenas 22,8 mil habitantes, para fazer faculdade em Bento Gonçalves ou Caxias do Sul – cidades médias da região.
A descrição das meninas por amigos e familiares combinam com as fotos: alegres, extrovertidas, falantes, “adolescentes normais”. Mas em novembro deste ano, uma foto em que Giana mostrava os seios e um vídeo em que Julia aparecia fazendo sexo com um rapaz e uma garota foram divulgados através do aplicativo Whatsapp – usado em celulares – e se espalharam pelas rede com a velocidade dos escândalos virtuais. Julia se suicidou no dia 10 de novembro e, quatro dias depois, no dia 14, foi a vez de Giana tirar a própria vida, poucas horas depois de saber que a foto havia sido compartilhada. As duas deixaram mensagens de adeus nas redes sociais e se enforcaram.

Adeus pelo Twitter

“Quem divulgou a foto foi um colega da escola que queria ficar com ela, só que ela não queria ficar com ele”, diz o irmão de Giana, Jonas Fabi, de 29 anos. Ele supõe que o garoto tenha espalhado a foto por vingança. “Eu não tenho certeza, mas ouvi comentários de que possa ter sido um jogo na internet. Tu tá online no Skype com várias pessoas e quem perde tem que mostrar uma parte do corpo. Aí ela perdeu, mostrou e na hora deram um printscreen. Ele guardou essa foto como uma carta na manga para chantagear: ela começou a namorar outro, ele foi lá e fez isso”.
Giana ficou sabendo do que estava acontecendo nas redes por volta do meio dia de 14 de novembro, quando sua prima ligou e avisou, depois de receber a foto em seu celular pelo WhatsApp. “Quando eu soube da foto que estava rolando, liguei pra ver como ela estava. Ela pareceu surpresa, espantada. Dói dizer isso mas acho que ela não sabia de nada antes” lamenta Charline Fabi. “Por volta de uma hora da tarde, começamos a conversar por aqui [Facebook]. Ela dizia que iria fazer uma besteira porque não queria causar vergonha para a família. Eu não acreditava porque ela nunca havia mencionado nada desse tipo. Só mandava ela parar de falar aquilo, que as pessoas iriam esquecer. Mas aí, ela despediu-se de mim dizendo: ‘Eu te amo, obrigada por tudo amor. Adeus”.
Charline lembra que continuou a ligar para a prima e, como ela não atendia, ligou para os pais que entraram em contato com os pais de Giana. Jonas, que morava na casa ao lado, pulou o muro e entrou na residência. Lá encontrou o corpo da irmã, que tinha se enforcado com um cordão de seda. “Na hora a adrenalina me segurou de pé. Quando souberam, o pai desabou, a mãe teve que ir para o hospital, em choque. Depois, quando caiu a ficha pra mim, eu também não aguentei”, lembra, emocionado, falando baixo pelo telefone.
Às 12h56, Giana postou uma mensagem de despedida no Twitter: “Hoje de tarde eu dou um jeito nisso. Não vou ser mais estorvo para ninguém”. Jonas atribui a atitude da irmã ao medo da reação da família. “Ela disse pra prima que não queria que a família sentisse vergonha e sofresse por um erro dela. A nossa família é bem conhecida, e a cidade é pequena, meio bocuda, bastante gente inventa coisas. Às vezes você faz uma coisinha e acabam aumentando. De repente isso até influenciou, pelo fato das pessoas todas se conhecerem, daí acaba espalhando rápido.”

“Outras pessoas podem entender que foram vítimas e não culpadas”

Daniel Aranha, primo da piauiense Julia Rebeca diz que ela também não falou com a família sobre o vídeo. Ele informou que não pode dar detalhes, porque o caso ainda está sendo investigado. O que se sabe é que o corpo de Julia foi encontrado pela família na noite do domingo, dia 10 de novembro, quando voltaram da igreja evangélica que frequentam. Antes de se enforcar com o fio da chapinha, ela também tinha se despedido pelo Twitter, com três posts. “É daqui a pouco que tudo acaba”, “Eu te amo, desculpa eu n [não] ser a filha perfeita, mas eu tentei. Desculpa desculpa eu te amo muito…” e “E tô com medo mas acho que é tchau pra sempre”.  Seis horas depois, Daniel deu a notícia pelo microblog. “Aqui é o primo dela, infelizmente perdemos a Julia Rebeca… Família desolada, por favor não postem besteiras… Momento difícil”.
Os dois casos estão sendo investigados por delegacias de polícia locais. O rapaz que divulgou o vídeo de Giana já foi identificado mas Jonas e a família esperam o resultado da investigação para decidir se vão processá-lo. Já no Piauí, mesmo sem saber quem compartilhou o vídeo, Daniel diz que a família espera que a justiça seja feita. “Queremos saber quem fez esse ato irresponsável e queremos punição. Se for um maior de idade, espero que seja punido nas medidas cabíveis, se for menor, não tem punição maior que sua própria consciência. Para ambos, espero que tenham se arrependido e o meu perdão eles têm.”
Depois dos episódios, as mesmas redes sociais estão sendo usadas para homenagear as garotas. Jonas mudou sua foto do perfil para a imagem da irmã, bonita, com um sorriso no rosto. Willian, namorado da gaúcha, também mantém uma foto abraçado com Giana em seu perfil. Daniel alimenta a página “Julia Rebeca – Saudades Eternas” com fotos, comentários, passagens bíblicas e com as músicas preferidas da prima. “É uma forma das pessoas verem nosso amor, e de todos aqueles que a amam deixarem suas lembranças e mensagens. Outras pessoas que passaram por isso podem entender que foram vítimas e não culpadas por fazer algo na sua intimidade”, explica.


Como um sonho ruim
O caso das adolescentes e outros envolvendo mulheres que também tiveram sua intimidade divulgada na rede ganharam grande repercussão em todas as mídias e trouxeram à tona o conceito do “pornô de revanche” – tradução do inglês “revenge porn” – para se referir à prática, cada vez mais comum, de divulgar fotos e vídeos íntimos sem o consentimento da outra pessoa, geralmente por parte de um homem para se vingar após um rompimento ou traição.  Um machismo que não se restringe àquele que posta a imagem: afinal, por que um vídeo de sexo ou mesmo uma cena de nudez parcial destrói a vida de meninas e mulheres e não dos homens, que não raro aparecem nas imagens?
“Esse tipo de ameaça, ligada à moral sexual e à ideia de que as meninas são mais expostas a uma avaliação sexual, sempre existiu”, como lembra a socióloga Heloísa Buarque de Almeida. “O que acontece agora é que como uma grande parte da sociabilidade é feita de forma virtual, o nível de exposição é muito maior e isso amplia a sensação de humilhação. Tem algo inovador na ferramenta mas também tem algo que é mais do mesmo” define a socióloga.
Se culpar a ferramenta não é a melhor resposta, há algo definitivamente novo na relação entre intimidade e redes sociais que impacta os adolescentes de uma forma que a sociedade começa a descobrir. Além da decepção com a perversidade de quem violou sua intimidade, a superexposição e o ciberbullying têm um peso muito maior para aqueles que estão em processo de construção da personalidade e de amadurecimento da visão de mundo. A vida online se aproxima – e para eles mal se diferencia – da offline, segundo os especialistas entrevistados pela Pública.
Também ouvimos as “fontes primárias” – os adolescentes – em quatro rodas de conversas com meninos e meninas de 15 a 18 anos, de escolas públicas e particulares de três bairros de São Paulo: Vila Madalena, Jardins e Heliópolis. O resultado desses papos, em muitos momentos surpreendente, você pode ler em formato de HQ clicando nas imagens ao longo da matéria, onde os diálogos foram reproduzidos. A frase de uma adolescente, sobre como se sentiria ao ter sua intimidade compartilhada, resume o sentimento que dali emerge: “Deve ser como naqueles sonhos em que você aparece nua de repente na frente da escola inteira. Só que na vida real e para o mundo inteiro”.

Mais frequente do que parece
Nessas conversas, muitos disseram já ter trocado fotos íntimas com amigos, “ficantes” e namorados, todos já haviam recebido conteúdo sexting e conheciam ao menos um caso de alguém em seu ciclo de amizades que teve a intimidade divulgada. A já referida pesquisa realizada pela Safernet com crianças e jovens de 9 a 23 anos confirma essa tendência: as fotos aparecem como o elemento mais compartilhado na rede por 60% dos entrevistados (veja um box com mais números e dados exclusivos no fim da matéria). Do total, 20% admitiram já ter recebido conteúdos de sexting e 6%  já ter enviado fotos de si mesmos – em 2009, apenas 12% relataram ter recebido conteúdo desse tipo segundo a pesquisa. O estudo mostra também que os que postam para difamar o fazem de forma recorrente: dos que compartilharam fotos ou vídeos eróticos de alguém contra sua vontade, 63% já o fizeram cinco vezes ou mais.
Para a psicóloga Juliana Cunha, que coordena o Helpline, canal de atendimento direto a crianças e adolescentes da Safernet que funciona via chat e e-mail, pais e professores têm que enfrentar o fato de que o sexting faz parte da nova cultura adolescente, por mais chocante que isso possa parecer. “Nós adultos não temos um olhar tão próximo dessa geração que cresce imersa nesse ambiente de interação online. A gente percebe no sexting dois pontos de vista muito antagônicos: o do adulto, que vê geralmente como uma superexposição e como uma erotização precoce, e dos adolescentes, que vêm a troca como código de interação entre eles”.
Juliana conta que é comum, ao começar uma amizade ou paquera online, os adolescentes ligarem a webcam para se conhecer, mas a troca de conteúdo erótico costuma acontecer apenas quando eles se sentem confiantes e íntimos. “Para eles, aquilo é parte das experiências sexuais e de intimidade. E não há dialogo entre as gerações. Cada uma está falando uma língua” diz. A comparação que ela usa para abordar o assunto com pais e professores é de que funciona mais o menos como os jogos sexuais das gerações passadas – a diferença é que se antes aquilo ficava guardado na memória, hoje pode se espalhar e  se perpetuar ao cair na rede.
“Os adolescentes sofrem muito quando isso se dissemina, eles ficam marcados, falados, pagam um preço muito alto. As meninas que têm a intimidade exposta são apedrejadas, xingadas, muitas têm que mudar de cidade, deixar a escola. A gente acha que pode desconectar e está tudo bem mas não é assim. E o apoio da familia é determinante sobre como esse adolescente vai superar. Eles relatam muito medo de serem julgados e punidos pelos pais. A escola também precisa intervir e abrir espaços de diálogo porque geralmente ficam espantadas e perdidas. Escutar sem julgar pode ajudar muito”.
No último ano, apenas nos Estados Unidos, 9 adolescentes cometeram suicídio supostamente por terem sofrido ciberbullying em uma rede social chamada Ask.Fm em que  alguém faz uma pergunta de forma anônima e o outro tem que responder, como o jogo da verdade das gerações passadas. Apesar de não ser muito conhecida pelos adultos, o Ask.Fm é a terceira rede social mais utilizada pelos adolescentes no Brasil, atrás apenas do Facebook e do Instagram, segundo Manu Barem, editora do Youpix – site que discute a cultura da internet e como os jovens se relacionam com ela.
Manu conta que já sofreu o drama do ciberbullying na pele: “Ele acaba mesmo com a saúde mental das pessoas. Eu já sofri através do Twitter e, mesmo tendo 28 anos, aquilo me desestabilizou profundamente. Imagina na vida de um adolescente que ainda não saiu de casa e não tem as preocupações e raízes de uma vida independente. Coisas assim têm outra proporção. Fora que é dificil hoje falar em uma separação entre identidade online e offline. Isso não existe mais”, diz.
O doutor em ciências sociais e autor do livro “Comunicação e Identidade: quem você pensa que é?” Luis Mauro Sá Martino (veja entrevista completa com ele aqui), concorda com Manu. Para ele, “não faz mais sentido a oposição entre ‘mundo digital’ e ‘mundo real’, apenas entre mundo digital e mundo concreto, físico”. E explica: “O que a gente chama de realidade é um monte de significados que a gente dá para as coisas. No mundo digital, virtual, eu também estou dando significado para as coisas, só que tem o nome de avatar, foto, perfil, link. Nós estamos dentro da realidade humana, essa realidade se manifesta de muitas formas e uma delas é o ciberespaço. Ele só é diferente do espaço físico por uma questão de tecnologia”, diz Sá Martino.
Juliana acrescenta que o mecanismo de relação nas redes sociais é mesmo pautado pela reputação: “Existe uma competição curiosa, em busca dessa audiência, quem tem mais views, as interações online têm essa lógica. Aí você gerencia o tempo todo isso, a percepção que os outros têm de você. E se você percebe que esse ‘eu’ do adolescente está tão capturado pela reputação online, quando isso de alguma forma se abala, vale a pena viver?”

Suicídio por ciberbullying?

A perseguição social – que sempre se manifestou contra a sexualidade das mulheres – se mostra especialmente aguda, porém, no espaço virtual em que nada se apaga, nada se estanca e nada se restringe. O bullying, comportamento comum na adolescência, pode desestruturar completamente a vítima, como mostram os posts dramáticos das adolescentes brasileiras que se mataram.
Para o psiquiatra e autor do livro “O Suicídio e sua Prevenção”, José Manoel Bertolote, não se pode determinar, porém, o bullying como causa única de um suicídio. Ele explica que 85% dos adolescentes que tiram a própria vida têm um transtorno psiquiátrico na ocasião, o que é chamado de fator predisponente. “Quando a ele se junta um fator precipitante, pode se desencadear o processo suicida”. Aí entraria o fator ciberbullying. “[O psicólogo Bruno] Bettelhein postulou [no livro A Psicanálise dos Contos de Fada] que uma das funções das fábulas e contos de fada era preparar as crianças para a vida adulta através de símbolos. A era eletrônica mudou a forma como as crianças veem o mundo: dos videogames, às redes sociais e aos reality shows vivem num mundo paralelo, ao mesmo tempo voyeurs e exibicionistas, num tempo ilusório, num espaço distorcido e numa realidade artificial”, diz.
O psiquiatra também não descarta a possibilidade de que, no caso das meninas brasileiras, um suicídio tenha influenciado o outro: “Não é impossível. É bem conhecido o ‘efeito Werther’, de imitação de comportamentos suicidas. Em geral, há um determinado pool de pessoas com alto rico de suicídio (pela existência de fatores predisponentes) e, para elas, a informação sobre um caso de suicídio (ou tentativa) pode ser o fator precipitante que faz transbordar o copo d’água. Não é por nada que a OMS recomenda o comportamento adequado da mídia como um das formas eficazes de prevenção dos comportamentos suicidas”.
Em uma palestra sobre o tema, o pós-doutor pela Universidade de Londres e doutor em Saúde Mental pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Neury Botega, também explicou que muitos fatores se combinam no suicídio. “Nunca é apenas um motivo. Há causas genéticas e biológicas, o grau de impulsividade e agressividade, abusos físicos ou sexuais, disponibilidade de meios letais, entre outros.  Há pesquisas que demonstram que até o perfeccionismo está associado ao suicídio, especialmente de adolescentes”, disse.
Recentemente, a equipe do Facebook, se dizendo preocupada com mensagens suicidas postadas na rede, lançou uma ferramenta que identifica conteúdos suspeitos, manda um e-mail e oferece um link para uma conversa privada com um especialista. A ferramenta está disponível apenas para os Estados Unidos e Canadá mas deve ser liberada para outros países em breve.
Fonte:
http://apublica.org/2013/12/jornalismo-em-quadrinhos-adolescentes-internet-selfie/