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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Clica na Coletânea da Prova Parcial e garanta nota 10,0

Uma história de Dom Quixote

Moacyr Scliar
Resultado de imagem para Dom Quixote dos tempos modernos letra Rodrigues da Fonseca
    Quando se fala num quixote, as pessoas logo pensam num desastrado, num sujeito que não consegue fazer nada direito, que tem boas ideias, mas sempre quebra a cara. E até repetem aquela história que o escritor espanhol Cervantes contou sobre o Dom Quixote.
     Ele era um daqueles cavaleiros andantes que usavam armadura, lança e escudo; percorria as planícies da Espanha num cavalo muito magro e muito feio, chamado Rocinante, procurando inimigos a quem pudesse desafiar em nome da moça que amava, e que ele chamava de Dulcineia. Pois um dia este Quixote avistou ao longe uns moinhos de vento.
     Naquela época, vocês sabem, o trigo era moído desta maneira: havia um enorme cata-vento que fazia girar a máquina de moer. Pois o Dom Quixote viu, nesses moinhos, gigantes que agitavam os braços, desafiando-os para a luta.
    Sancho Pança, seu ajudante, tentou convencê-lo de que não havia gigante nenhum; mas foi inútil.
     Dom Quixote estava certo de que aquele era o grande combate de sua vida.  Empunhando a lança, partiu a galope contra os gigantes…
     O resultado, diz Cervantes, foi desastroso. A lança do cavaleiro ficou presa nas asas do moinho, ele foi levantado no ar e depois jogado para longe. Para Sancho, e para todas as pessoas que ali viviam, uma clara prova de que o homem era mesmo maluco.
     Essa era a história que Cervantes contava. Já meu tatara-tatara-tataravô, que também conheceu o Dom Quixote, narrava o episódio de uma maneira inteiramente diferente. Ele dizia que, de fato, Dom Quixote viu os moinhos e que ficou fascinado com eles, mas não por confundi-los com gigantes. “Se eu conseguir enfiar minha lança naquelas asas que giram”, pensou, “e se puder aguentar firme, terei descoberto uma coisa sensacional.”
     E foi o que ele tentou. Não deu completamente certo, porque nada do que a gente faz dá completamente certo; mas, no momento em que a asa do moinho levantava o Dom Quixote, ele viveu o seu momento de glória. Estava subindo, como os astronautas hoje sobem; estava avistando uma paisagem maravilhosa, os campos cultivados, as casas, talvez o mar, lá longe, talvez as terras de além-mar, com as quais todo o mundo sonhava. Mais que isso, ele tinha descoberto uma maneira sensacional de se divertir.
     É verdade que levou um tombo, um tombo feio. Mas isso, naquele momento, não tinha importância. Não para Dom Quixote, o inventor da roda-gigante.
 Extraído e adaptado de FILHO, Otavio Frias et al. Vice-versa ao contrário:histórias clássicas recontadas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1993

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om Quixote de la Mancha (Don Quijote de la Mancha em castelhano) é um livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616). O título e ortografia originais eram El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha, com sua primeira edição publicada em Madrid no ano de 1605. É composto por 126 capítulos, divididos em duas partes: a primeira surgida em1605 e a outra em 1615. A coroa espanhola patrocinou uma edição revisada em quatro volumes a cargo de Joaquín Ibarra. Iniciada em 1777 concluiu-se em 1780 com tiragem inicial de 1600 exemplares.[4]
O livro surgiu em um período de grande inovação e diversidade por parte dos escritores ficcionistas espanhóis. Parodiou osromances de cavalaria que gozaram de imensa popularidade no período e, na altura, já se encontravam em declínio. Nesta obra, a paródia apresenta uma forma invulgar. O protagonista, já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances, perde o juízo, acredita que tenham sido historicamente verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. Por isso, parte pelo mundo e vive o seu próprio romance de cavalaria. Enquanto narra os feitos do Cavaleiro da Triste Figura, Cervantes satiriza os preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles heróis. A história é apresentada sob a forma de novela realista.
É considerada a grande criação de Cervantes. O livro é um dos primeiros das línguas européias modernas e é considerado por muitos o expoente máximo da literatura espanhola. Em princípios de maio de 2002, o livro foi escolhido como a melhor obra de ficção de todos os tempos. A votação foi organizada pelo Clubes do Livro Noruegueses e participaram escritores de reconhecimento internacional.[5]
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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Tempo e Modo

INTRODUÇÃO AOS VERBOS - TEMPO E MODO

Objetivos: Identificar verbos em um texto, sua aplicação e os diferentes usos dos tempos verbais.

Conteúdo: Verbos

Metodologia/ estratégias:

1º passo: Organizar a turma em grupos e oferecer a cada grupo um texto diferente retirado de revistas ou da internet, preferencialmente breves. Sugiro os tipos de texto abaixo por serem fáceis de fazer uma relação com os tempos/ modos verbais neles empregados, mas podem ser outros.

PROPAGANDA =>  ............VERBOS NO IMPERATIVO

NARRATIVA =>  .................VERBOS NO PRETÉRITO

RECEITA =>  ........................INFINITIVO VERBAL

CRÍTICA LITERÁRIA=> .....PRESENTE

Os verbos dos textos devem ser grifados.

2º passo: Os alunos, após fazerem a leitura, devem identificar no texto os seguintes dados:

a) Qual o tema do texto lido e qual a sua finalidade?

b) Copie no caderno as palavras grifadas.

c) Na sua opinião, para que servem essas palavras?

Assim que os grupos encerrarem suas observações, devem relatá-las para a turma.

3º passo: Informar que as palavras grifadas se tratam de VERBOS e construir em conjunto com a turma uma definição para essa classe gramatical.

4º passo: Montar no quadro a tabela cujas colunas devem ser os tempos e modos que apareceram predominantemente nos textos trabalhados.
Como a aula é introdutória para o assunto, ainda não é necessário fazer uma diferenciação entre tempo e modo, mas é importante destacar seu uso. Para facilitar o enquadramento dos verbos na tabela, você poderá explicar melhor como identificar cada um deles, por ex., dizendo qual a desinência do infinitivo, etc.

5º passo: Após todos os verbos estarem na tabela, é hora de treinar sua flexão, mantendo a pessoa verbal e preencher as demais colunas. Nesse momento, também é interessante fazer alguns desdobramentos, como pretérito perfeito e imperfeito e acrescentar outros tempos verbais como o futuro do presente, partindo das manifestações dos alunos.

6º passo: Passar no quadro ou distribuir material impresso contendo todas as informações pertinentes sobre tempos e modos, inclusive as que ainda não foram trabalhadas na tarefa anterior. Comentar o material.

7º passo: Distribuir o texto “Carne do futuro pode ser artificial”, ler em grupo e pedir aos alunos que copiem um verbo de cada tempo/ modo, presente no material distribuído ou passado no quadro. Anotar no quadro os resultados obtidos pelos grupos, comentando.
 


                   Carne do futuro pode ser artificial, diz cientista     
                                           Vagnaldo Marinheiro 


Se você gosta de carne, corra para uma churrascaria, porque renomados cientistas acreditam que em 40 anos não haverá suculentos bifes para todo mundo. Muitos terão de comer carne produzida em laboratório.
A advertência faz parte de uma série de 21 artigos científicos encomendados pelo governo britânico para projetar a situação alimentar do mundo em 2050. As conclusões: a população será de 9 bilhões de pessoas, e o consumo per capita de alimentos também crescerá, principalmente nos países em desenvolvimento.
Por isso, será necessário aumentar muito a produção de alimentos. Haverá competição por terra e por água, e o preço da comida vai subir. Nos últimos anos, a tecnologia ajudou. Técnicas de plantio, melhora nas sementes e controle de pragas aumentaram a produtividade.
Na pecuária, estudos genéticos, inseminações artificiais e redução de doenças fizeram os animais terem mais peso (30% a mais no caso das vacas desde 1960) e darem mais leite (30% a mais por vaca no mesmo período).
Chegará um momento, porém, em que preconceitos deverão ser deixados de lado. Aí entra a carne artificial, ou produzida em laboratório.
"A carne in vitro já se provou factível e pode ser produzida de uma forma mais saudável e higiênica que na pecuária atual", disse Philip Thornton, do Instituto Internacional de Pesquisas em Pecuária de Nairóbi, no Quênia.
Estudos sobre carne in vitro começaram há cerca de dez anos. Trata-se de retirar células de um animal vivo e fazer com que se reproduzam até virar tecido muscular. Em janeiro, europeus criaram carne de porco assim.
Curioso é que a discussão surja agora, quando o Reino Unido investiga se a carne de filhos de uma vaca clonada foi ao mercado sem aviso a autoridades e consumidores.
Para os cientistas, a necessidade poderá obrigar a população que hoje teme animais clonados a aceitar a carne produzida em laboratório.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/784128-carne-do-futuro-pode-ser-artificial-diz-cientista.shtml. Acesso em 18 de ago. 2010.


                   Carne do futuro pode ser artificial, diz cientista
                                           Vagnaldo Marinheiro

Se você gosta de carne, corra para uma churrascaria, porque renomados cientistas acreditam que em 40 anos não haverá suculentos bifes para todo mundo. Muitos terão de comer carne produzida em laboratório.
A advertência faz parte de uma série de 21 artigos científicos encomendados pelo governo britânico para projetar a situação alimentar do mundo em 2050. As conclusões: a população será de 9 bilhões de pessoas, e o consumo per capita de alimentos também crescerá, principalmente nos países em desenvolvimento.
Por isso, será necessário aumentar muito a produção de alimentos. Haverá competição por terra e por água, e o preço da comida vai subir. Nos últimos anos, a tecnologia ajudou. Técnicas de plantio, melhora nas sementes e controle de pragas aumentaram a produtividade.
Na pecuária, estudos genéticos, inseminações artificiais e redução de doenças fizeram os animais terem mais peso (30% a mais no caso das vacas desde 1960) e darem mais leite (30% a mais por vaca no mesmo período).
Chegará um momento, porém, em que preconceitos deverão ser deixados de lado. Aí entra a carne artificial, ou produzida em laboratório.
"A carne in vitro já se provou factível e pode ser produzida de uma forma mais saudável e higiênica que na pecuária atual", disse Philip Thornton, do Instituto Internacional de Pesquisas em Pecuária de Nairóbi, no Quênia.
Estudos sobre carne in vitro começaram há cerca de dez anos. Trata-se de retirar células de um animal vivo e fazer com que se reproduzam até virar tecido muscular. Em janeiro, europeus criaram carne de porco assim.
Curioso é que a discussão surja agora, quando o Reino Unido investiga se a carne de filhos de uma vaca clonada foi ao mercado sem aviso a autoridades e consumidores.
Para os cientistas, a necessidade poderá obrigar a população que hoje teme animais clonados a aceitar a carne produzida em laboratório.


Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/784128-carne-do-futuro-pode-ser-artificial-diz-cientista.shtml. Acesso em 18 de ago. 2010.

Recursos: Textos extraídos de revistas ou internet, quadro, giz, material impresso (se optado por ele), papel e caneta.

Avaliação: A avaliação será no decorrer de toda a atividade, em que a professora, através da participação dos grupos, buscará identificar o grau de dificuldade apresentado pela turma a fim de enfatizar mais suas explicações sempre que necessário.






sexta-feira, 10 de junho de 2016

Assuntando Ariano Suassuna


O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.
Ariano Suassuna




Estendendo e detonando a evolução com sua simplicidade




Assista ao vídeo 
Assisti recentemente a uma conferência de Ariano Suassuna, que me levou a algumas reflexões teológicas. Aliás, não foi bem uma conferência; foi uma aula show. Talvez o mestre paraibano, por sua natural modéstia, não aceite essa designação. Mas, no momento, não acho outra melhor; vai essa mesma. Naquela uma hora e pouco em que permaneci ligado à internet, passei a conhecer outro aspecto da rica personalidade do poeta e romancista, que jamais escondeu o seu amor pelas coisas sertanejas e incompreendidas de nossa terra. Descobri que, sob aquela imensa cultura que transcende estilos e discursos, há um cristão que não se envergonha do Cristianismo.

Boa parte dos intelectuais faz questão de se declarar ateia. Acha essa gente que a descrença em Deus é aquele derradeiro toque que não pode faltar à formação do homem pós-moderno. Eles são fruto de uma academia que, incapaz de ver além de seus horizontes, reduziu-os a pensar que, no arcabouço das conquistas humanas, a religião é um detalhe mero e descartável. Ariano Suassuna não pensa assim. Embora conheça profundamente a filosofia, e sendo ele mesmo filósofo, faz questão de declarar a sua fé nas crenças bíblicas, entre as quais, durante aquela sua palestra, empenhou-se por destacar o Criacionismo.
O prendedor de roupas


Com um sotaque encantador, que lembra o Nordeste e não esquece o Brasil, Suassuna começou, num daqueles parêntesis que só ele consegue fazer, a encarreirar os absurdos de Darwin. Num dado momento, disse que tiraria algo de sua pasta, a fim de provar as incongruências do Evolucionismo. Ele deixou bem claro que não seria a nona sinfonia de Beethoven, nem a Divina Comédia, de Dante Alighieri, pois não queria humilhar os macacos.

Depois de revirar a sua velha e surrada pasta, tirou dali um prendedor de roupas. Em seguida, passou a mostrar o engenho simples, porém eficientíssimo, daquele instrumento que, em todo o mundo, democratiza as roupas, unindo-as em fios e arames comuns. Depois de exibir o mecanismo daquele solitário objeto, acrescentou: “Quem inventou este prendedor é um gênio. Com simples movimentos, prendo e solto minhas roupas. Logo, o macaco nem daqui a quinhentos milhões de anos conseguiria criar algo parecido”.

Sei que algumas pessoas naquele auditório não gostaram do comentário do autor do Auto da Compadecida. Como ninguém ousasse manifestar-se, Ariano prosseguiu afirmando que é mais lógico acreditar no Gênesis da Bíblia Sagrada do que no enredo de Charles Darwin.
A tirania do politicamente correto

Ariano Suassuna deixou bem claro não estar nem um pouco preocupado com o politicamente correto, essa tirania pós-moderna que nos impede de dizer o que pensamos. Aliás, quando alguém antepõe a locução “politicamente correto” a um discurso, na verdade quer dizer: esquerdista ou ateisticamente correto. Isto porque, hoje, não se pode falar, nem sequer pensar, fora dessas fronteiras. Se nos atrevemos a nos expressar além desses limites, logo aparece um representante da esquerda, ou um apóstolo do ateísmo, para impor-nos a sua censura. Sim, justamente eles que tanto apregoam a liberdade de expressão.

O bom e velho Suassuna, porém, mostrou que não podemos curvar-nos à tirania do politicamente correto. Devemos, sim, manifestar-nos com transparência e franqueza. Caso contrário, o politicamente correto transformar-se-á num monstrengo semelhante à Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung. Aliás, tal fantasma já vem assustando até mesmo democracias fortes e vigorosas como a norte-americana. Se não nos precavermos, virá o dia em que todos teremos de portar um livrinho vermelho, indicando-nos o que falar e pensar. Aliás, desconfio de que tal documento já esteja no prelo, pois não são poucas as tentativas de calar-nos a boca e sufocar-nos a consciência.
Voltemos, porém, ao prendedor de roupas de Ariano.
Nem Aquino, nem Newton

Depois de ouvir Suassuna, constatei que não preciso de Tomás de Aquino, a fim de provar a existência de Deus. Posso substituir as cinco vias do teólogo italiano pelo único prendedor de roupas do poeta de João Pessoa e de todas as gentes. Sim, dois gravetos movidos por uma molinha de metal são suficientes para mostrar que Deus realmente existe e que o homem não é fruto de evolução alguma.

Na apologia da fé cristã, usamos às vezes complicados argumentos cosmológicos, e não deixamos de reclamar a ajuda de Newton. Mas, para quem está disposto a crer, basta um apertãozinho do prendedor de Ariano, e as vestimentas do bom-senso logo se ajustam ao corpo da fé cristã. Por que, então, a complexidade da mecânica celeste se temos um mecanismo tão singelo e prosaico como o prendedor de roupas do poeta?
Uma parábola que não foi escrita

Não sei dizer se à época de Jesus já existia prendedor de roupas. Mas, caso existisse, daria uma boa parábola, pois o Senhor, conquanto Mestre dos mestres, era um homem simples e apreciador das coisas singelas. E de cada uma destas, tirou preciosas lições. Da pequenina semente da mostarda, extraiu Ele a grande doutrina da fé. Na dracma perdida, fez-nos achar o real valor da vida. E com a ovelhinha que se extraviara, tangeu-nos ao Bom Pastor.

Jesus também nunca se dobrou ao politicamente correto. Acho que Suassuna muito aprendeu com o Nazareno. Para o homem que se apresentou como a própria verdade, a mentira, ainda que aceita pela sociedade, sempre traz prejuízos à nação. Por isso, entre a aparente correção do pós-modernismo, que tem na velha e matreira serpente a sua inspiração, façamos como o mestre paraibano. Mostremos que há mais proveito num prendedor de roupas do que em teorias esdrúxulas e esquisitas como a de Charles Darwin.

Ptd: Wilma
Do Blog CPADNEWS P Claudionor

Ariano Suassuna, seus causos e sua intransigência na defesa da cultura popular

Ariano Suassuna continua com a língua afiada, como ele mesmo diz, para atacar qualquer coisa que ela acha que possa conspurcar a verdadeira cultura popular brasileira. O saco de pancado escolhido para esta noite [29/11/2009] foi a banda Calypso, que ele esculhambou pelo menos em três ocasiões diferentes, em sua aula-show no Centro Cultural Sesc [Cine São Luiz].
No começo, um pouco de autoironia: disse que já está um pouco cansado de repetir as mesmas coisas. E que sente pena de sua mulher que o acompanha em todas as palestras “ouvindo sempre as mesmas histórias”. Contou como começou a namorá-la, “em 20 de agosto de 1947” – e diz que só a conquistou, pois as “moças bonitas costumam ter mau-gosto”, referência à sua suposta feiúra. “Eu tive sorte”. Choveram aplausos.
Passou três filmes de música e dança que compõem um projeto que leva artistas para as cidades do interior de Pernambuco – atividade que ele realiza como secretário da Cultura de Pernambuco. Aproveitou para comparar um dos bailarinos com Michael Jackson, puxando a brasa dos elogios para o brasileiro.
O ponto alto da palestra foi o tributo que ele fez a Leonardo Mota, o cearense de Pedra Branca, de quem em venho publicando alguns textos neste blog [veja aqui]. Mostrou uma foto do mestre Leota, a mesma que pode ser vista no link.
Ariano diz que sempre gostou, desde menino, de livros e de cantadores. Quando descobriu, nas escrituras de Leonardo Mota, que os cantadores eram “objeto de livro”, percebeu  também que “eles eram respeitados”.
“Foi o primeiro escritor que me chamou a atenção para o romanceiro popular, eu devo muito a ele: tudo o que eu escrevo tem essa marca”, disse, citando os livros “Violeiros do Norte” [1925] e “Sertão alegre” [1928], que eram da biblioteca do pai de Ariano, de quem mestre Leota era amigo.
“Eu presto a minha homenagem a ele, um cidadão que honra o Brasil”, disse Ariano, lamentando o esquecimento a que Leonardo Mota vem sendo relegado.
Piada
Ao criticar o hábito que muitos têm de pôr nome americanizado nos filhos, Ariano contou a história de um amigo dele, com quem trabalhou, de nome Clomilton [a mãe Clotilde, o pai, Milton]. Disse que quando lhe nasceu o primeiro filho, Clomilton lhe pergunta que nome  lhe daria: Joaquim, responde Ariano.
Clomilton estranhou que um homem “estudado” como Ariano pusesse um nome tão comum no filho. Ariano pergunta que nome Clomilton pusera no filho dele, que nascera há alguns meses: Walton Alighieri, responde Clomilton. Um nome de respeito.
Ariano conta outro “causo” acontecido com o mesmo Clomilton, que era gago. Um dia Ariano liga para seu trabalho, atende Clomilton:
– Aaalô.
– Clomilton, Ariano.
– Peraí que eu vou chamar.
– Mas, Clomilton, é Ariano.
– Deixa de ser avexado, já tô indo chamar.
[Volta]
– Ariano não está.
– Eu sei que ele não está.
– Se você sabe que ele não está, por que ligou?
– Clomilton, deixa de ser doido, é Ariano que está falando.
– Agora danou-se. Você liga para você mesmo e diz que o doido sou eu?
[Risos e aplausos]
Mais
? Todas as cadeiras do Cine São Luiz estavam ocupadas e ainda tinha gente sentada no chão.
? Lá pelo meio da palestra alguém leva uma bandeira do Estado do Ceará e cobre com ela a mesa que serve de apoio a Ariano. Ao fim da aula-show Ariano mostra a bandeira e a beija.
? A palestra foi entrecortada de aplausos. A cada frase, choviam palmas. Uma maneira meio besta de se comportar, eu acho, mas não é exclusidade do público cearense. Na Flip [Feira Literária de Parati], na palestra de Gay Talese, bastava ele abrir a boca para ser ovacionado [vi por vídeo]. Ariano merece respeito e aplausos, mas bater palmas a cada segundo, sei lá…
? O tema oficial da aula-show foi “Raízes populares da cultura brasileira”, no encerramento 

 “Ariano Suassuna, seus causos e sua intransigência na defesa da cultura popular


  1. a aula-espetáculo (e que nome mais estranho!) foi muito bacana. ariano suassuna pode não ser reconhecido em aviões, ou no térreo da Universidade onde leciona, mas é reconhecido como legítimo defensor da cultura popular, cultura das origens negras e indígenas; e precisamos dessas pessoas sempre por perto para suscitar reflexões, garantir desconfortos na poltrona e aguçar a percepção para o que normalmente esquecemos de observar no âmbito da cultura.
    de toda maneira, exageros não me agradam. suassuna é “cabra arretado”, merece ser estimado e respeitado; no entanto, seu radicalismo, muitas vezes, aproxima-se do conservadorismo. aliás, nele, confundem-se.
  2. “em sua aula-show no Centro Cultural Sesc…”
    Se Ariano lesse isso, ele criticaria. Na coletiva que ele deu ontem, um repórter perguntou sobre a “aula-show” e ele respondeu: “Não é aula-show, é aula espetáculo, show é uma expressão que a gente usa pra espantar galinha”, e se referiu ao inglês como uma “língua bárbara”.
    Sou muito admirador do Ariano Suassuana, mas a anglofobia dele me incomoda. Show já é uma palavra usada no Brasil todo. Já morei no interior do interior do Ceará, e lá essa palavra comum no dia a dia de lá.
    Também houve o problema nos slides (não imagino a palavra em português que ele usaria no lugar de slides) e acabou não tendo a aula como ele planejara.
    A reportagem com trechos da coletiva foi exibida na TV O POVO e pode ser vista aqui: http://www.youtube.com/watch?v=yBsj0Ryyrn4

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Onde surgiu e QUEM enganou o BOBO na CASCA DO OVO??

As teorias do "Enganei um bobo na cas do Ovo"... Você conhece?


O termo "enganar o bobo na casca do ovo" já foi (praticamente não ouço mais isso hoje em dia) muito usado pelas pessoas quando uma outra era enganada, feita de tonta. Mas será que isso é só um ditado qualquer? Ou será que surgiu por um motivo? Confira então três explicações para o ditado!

primeira explicação que encontrei diz que, antigamente, gambás e outros bichos faziam furos nos ovos das galinhas para comerem a gema e a clara, deixando só a casca. Os criadores, para não sairem prejudicados, misturavam esses ovos com outros bons e, assim, comercializam eles sem problemas. Para zuar aqueles que compravam e não faziam idéia da "brincadeira", os comercializantes iniciaram o "enganei um bobo na casca do ovo".


Já a segunda explicação, que é mais complexa, diz que a princesa Isabel vivia falando que era impossível manter um ovo de pé. Muitas pessoas, intrigadas com aquilo, tentavam realizar o feito a fim de provar para a rainha que era possível. Eis então que surge um homem aparentemente inteligente a procura da rainha dizendo que poderia manter um ovo em pé. Uma data foi marcada e então, para grande surpresa, realmente o tal homem conseguiu manter o ovo em pé. Mas como? Muito esperto, o homem havia pré-cozido o ovo e feito em sua base uma pequena quebra. Assim o ovo facilmente se equilibrou. Portante ele "enganou uns bobos na casca do ovo".

Há ainda uma terceira explicação, que é meio parecida com a primeira. Ela diz que há anos atrás um comerciante, chamado Derik, recebeu uma encomenda de 150 dúzias de ovos feita por um nômade rico. Para sacanear, o comerciante acabou vendendo vários (se não todos) dos ovos com furos na casca, eliminando todo o conteúdo. Portanto o rico homem acabou pagando por cascas de ovos, e não ovos em si. Eis então que surge o "enganei um bobo na casca do ovo".

Apesar dessas explicações, muitos acreditam apenas se tratar de um ditado qualquer criado para cantigas e brincadeiras infantis, feito somente pela rima, sem uma história ou "porquê". 

E você, acredita em que?
Fonte: http://blogaleatoriedade.blogspot.com.br/2012/09/as-teorias-do-enganei-um-bobo-na-cas-do.html

Como surgiu O Bobo da Corte?

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Tudo indica que eram os melhores comediantes da sua época, a Idade Média. Ao contrário do que muita gente pensa, esses plebeus pagos para entreter a nobreza e a realeza não eram loucos, nem faziam parte do time de vítimas de deformidades físicas, como corcundas e anões, que muitas cortes adotavam como circo particular. "Os bobos da corte não eram nada bobos. Eles possuíam várias habilidades: versejavam, faziam malabarismos e mímica. Eram, principalmente, gente com talento, sabedoria e sensibilidade para divertir os outros", afirma o historiador Nachman Falbel, da USP.
Principalmente nos séculos XIV e XV, o bobo fazia parte do grupo de artistas sustentados pelas cortes, junto com pintores, músicos e poetas. Quem melhor definiu sua posição junto aos poderosos foi o gênio do teatro inglês William Shakespeare (1564-1616), que destacou a figura dos bobos dando a eles papéis de grande importância em sua obra. "Em peças como Rei Lear e A Noite de Reis, o bobo é o mais esperto dos personagens. Ele tem licença para falar aquilo que ninguém mais ousa dizer", diz John Milton, professor de Literatura Inglesa da USP. A liberdade do personagem é tão grande que ele chega a criticar os próprios reis, com comentários ácidos e que divertem o público. "No teatro de Shakespeare, o público não ri dos bobos da corte, ri junto com eles", afirma Milton.
Fonte: Revista Mundo Estranho, site oficial, acesso em 06/06/16, 23:12

Fábio Marton
Muita gente conhece os bobos da corte graças à 14ª carta do baralho. Mas, após 355 anos de mau humor, eles voltaram para assumir seu lugar na Inglaterra, a monarquia mais célebre do mundo.
A organização estatal English Heritage, que se dedica a manter as tradições inglesas, fez como manda o figurino e publicou no jornal The Times um anúncio com o título “Nós não estamos de bobeira”, procurando por candidatos “joviais, dispostos a trabalhar nos fins de semana (...) e com vestimenta própria”. O ex-professor de inglês Nigel Roders, também conhecido como “Kester, o Bobo”, foi eleito em 2 de agosto, após uma audiência pública com seis outros candidatos – incluindo uma francesa que recitava poesia. “Ele terá que divertir e provocar. Mas, se falhar, não corre mais o risco de ser decapitado como antes”, diz Tracy Borman, diretora da English Heritage.
A tradição do bobo da corte começou no Egito antigo e perdurou até meados do século 19. Entre os séculos 12 e 17, da China à Inglaterra, passando pela Índia e Itália, toda monarquia que se prezasse tinha seu bobo. A Inglaterra perdeu o seu em 1649 com a república de Oliver Cromwell. A monarquia voltou, mas o bobo não. Agora, a família real torce para que as bobagens do novo empregado possam desviar a atenção de suas trapalhadas.
Fonte: Revista Superinteressante, site oficial, acesso em 06/06/16, 23:h13
PtD: Wilma Nunes Rangel

Conheça a realidade dentro dos castelos e associe às questões da Revisão

Coletânea de Leitura:

Leia a coletânea e garanta sua nota máxima na Avaliação parcial, leia a coletânea que fará parte das questões sobre os temas da Obra do nosso projeto de Leitura! 

1) Como era a vida em um Castelo Medieval;
2) E para o vencedor as batatas!

Como era a vida em um castelo medieval?

Por Roberto Navaro
Medieval
Apesar de toda a imponência dessas construções, o cotidiano não era muito agradável, não. "Além de não contar com conveniências como água corrente ou aquecimento central, o dia-a-dia dos moradores era barulhento e desconfortável", diz a historiadora britânica Lise Hull, autora do livro Scotland and the Castles of Glamorgan ("A Escócia e os Castelos de Glamorgan"). Os primeiros castelos surgiram na Europa Ocidental ainda no século 9, construídos com terra, madeira e camadas de pedras para reforçar a estrutura contra ataques. O modelo mais conhecido, o das fortificações protegidas por muralhas e cercadas por fossos alagados, apareceu na França, no século 10. A arquitetura dos castelos era única: não havia dois iguais, mas a maioria deles partilhava características comuns, como a existência de um salão, de aposentos exclusivos para o senhor do castelo, de uma capela e de uma torre para os guardas.
Para a maioria dos moradores, um dia típico começava ao nascer do Sol. Algumas camareiras dormiam no chão do quarto do senhor e de sua dama, cuja privacidade era garantida apenas por uma armação de tecidos em volta da cama. Depois de se vestirem, o senhor e sua família iam ao salão para tomar um café da manhã regado a pão e queijo, e logo seguiam para a missa diária na capela. O almoço, servido entre as 10 da manhã e o meio-dia, incluía três ou quatro pratos principais e podia ser acompanhado por apresentações de malabaristas. Durante o dia, enquanto o senhor cuidava da administração, da justiça e da coleta de impostos do feudo, sua esposa tratava da educação dos filhos e supervisionava camareiras e cozinheiras. À noite, apenas uma leve refeição - em geral, uma sopa. Alimentados, os senhores voltavam ao quarto, enquanto os servos se espalhavam pelo chão do salão ou em câmaras no interior da torre.
Bagunça feudalFortificações de pedra eram escuras, barulhentas e tinham pouca higiene
1. ALMOÇO ANIMADO
Geralmente situado no andar superior, o salão era um ambiente escuro, enfumaçado e úmido, com pequenas janelas sem vidro. Durante o dia, o local virava sala de refeições, ocasionalmente acompanhadas por espetáculos de artistas ou trovadores a que os servos também podiam assistir. À noite, o lugar se transformava em dormitório dos criados
2. COZINHA RÚSTICA
A cozinha era afastada dos cômodos principais para evitar incêndios. No forno central de fogo aberto, a comida era cozida em caldeirões e as carnes assadas em espetos de ferro. Do lado de fora, ficavam gaiolas com aves e outros animais para o abate. O cardápio do senhores era farto em pão de boa qualidade, carne e bebidas alcoólicas, especialmente vinho e cerveja
3. ESTOQUE CHEIO
Em alguns castelos, um cômodo construído no andar térreo servia de armazém de provisões, como trigo (usado para fazer pão) e malte (cerveja). O estoque de alimentos incluía ainda carnes conservadas por salgamento, queijos e sacas de vagens, feijões, favas e grãos moídos, como farinha
4. REZA DIÁRIA
Localizada perto do salão principal, a capela podia ser dividida em dois andares: no piso superior ficava a família do senhor do castelo, enquanto os servos rezavam na parte de baixo. Às vezes, capelas menores eram construídas num subterrâneo do castelo. As missas aconteciam todas as manhãs
5. SONO REAL
O principal móvel do quarto do senhor e sua dama era uma grande cama de madeira, com um trançado de tiras de couro que sustentava o colchão de penas. As roupas eram guardadas em arcas ou penduradas em pinos na parede. No início do dia, o quarto era varrido pelas camareiras, enquanto os senhores lavavam o rosto em bacias com água
6. LÍQUIDO PRECIOSO
Era indispensável que o castelo ficasse perto de uma fonte subterrânea de água para garantir o abastecimento de toda a construção. Além do poço central, localizado no interior das muralhas, reservatórios recolhiam a água da chuva que caía no teto do castelo. Depois, o líquido seguia para os andares inferiores por encanamentos de chumbo
7. PRIVILÉGIO NOJENTO
Como os dois únicos banhos anuais aconteciam em tinas portáteis levadas para o quarto do senhor, o banheiro tinha só uma privada, exclusiva dos nobres - os outros precisavam se aliviar fora das muralhas ou em penicos. Mas o "troninho" não era nada higiênico: os dejetos seguiam em uma canaleta de pedra até a parede do castelo, de onde a sujeira escorria até um fosso
8. VISÃO SEGURA
A maioria das fortificações contava com uma torre, feita inicialmente de madeira e mais tarde de pedra, com vários andares e formato retangular. O local, que servia como posto para os sentinelas que vigiavam as vizinhanças, era também usado como alojamento para servos e soldados, além de ser o último refúgio no caso de o castelo ser invadido
Fonte: Revista Mundo Estranho, acesso 06/06/16 22:57

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Prepare-se para a Batalha da Prova Parcial


E para as melhores notas "As Batatas!"

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A importância nobre da batata

       Na obra aparece por diversas vezes, entre as brigas dos personagens Caricaturais: Cozinheiro e Cozinheira, as BATATAS. Entre planos do Deuteragonista Bobuque em conversas com os protagonistas O Pintor, O Poeta e O Soldado elas estão assando...Conheça a importância da Batata na obra de Domingos Pellegrini, percebendo a história Real da batata .
Bom estudo!

Ao vencedor as batatas

O tubérculo americano que salvou os europeus da fome e hoje se presta à elaboração de receitas gulosas no mundo inteiro
No romance Quincas Borba, uma das obras-primas de Machado de Assis (1839-1908), o personagem central herda uma fortuna e muda de Barbacena, em Minas Gerais, para o Rio de Janeiro, onde se apaixona por uma mulher casada. Por esse amor perde a esperança, a razão, a fortuna e a vida. Percebe muito vagamente uma filosofia que mistura positivismo e darwinismo, inventada pelo seu protetor Quincas Borba: o humanitismo, cuja doutrina pode ser explicada pela batata. Duas tribos famintas se encontram diante de uma plantação desse tubérculo. Mas a quantidade existente era suficiente para alimentar apenas uma delas. Caso haja divisão das batatas, ambas morrerão de fome. A paz, nesse caso, significaria a mútua destruição; a guerra, ao contrário, a salvação da tribo mais forte. Na vida acontece a mesma coisa. A sobrevivência de uns impõe a extinção de outros. “Ao vencedor, as batatas”, proclama o pai do humanitismo.
Foi exatamente esse o prêmio recebido pelo explorador espanhol Francisco Pizarro (1474-1541), após matar o imperador Ataualpa, dizimar os incas e conquistar o Peru, na primeira metade do século XVI. Ele tinha invadido a região para conquistar territórios, ouro e prata. Encontrou uma agricultura desenvolvida e extensas lavouras de batata. O tubérculo comestível era cultivado desde o ano 3000 antes de Cristo nas regiões andinas de Peru, Bolívia, Equador e Chile.
 Os incas o semeavam como alternativa ao milho, planta que não vingava nas grandes altitudes. Pelo seu valor energético ou calórico, comprovado na recuperação dos doentes, e versatilidade culinária, o ofereciam às divindades. Falamos da batata ou batatinha, também chamada de batata-inglesa e batata-irlandesa, planta da família das solanáceas. Entretanto, convém lembrar que ainda existe a bata-doce, igualmente originária da América Latina, com enorme importância alimentar. Pertence à família das convolvuláceas e possui raízes suculentas, grupo que reúne mais de 800 tipos. Os usos diferem ligeiramente. Saboreia-se a batata ou batatinha nas modalidades frita, cozida e assada, palha, rôtie, sautée e soufllée; cortada em fatias ou cubos para a salada; em purê e conserva. Pode ser consumida fria ou quente; em entradas ou pratos de resistência; como ingrediente principal ou coadjuvante. Acompanha todos os nossos tipos de carne, ave e peixe. Harmoniza-se com ovos de aves domésticas ou selvagens. Já a batata-doce se presta à elaboração tanto de pratos de sal como sobremesas, que vão de um gnocchi feito pelos imigrantes italianos no interior de São Paulo a uma sobremesa cujo sabor a aproxima do marron glacé francês. Além disso, tem grande importância na alimentação animal.
Apesar da surpresa de Pizarro com a batata, batatinha, batata-inglesa ou batata-irlandesa, o conquistador não soube avaliar sua relevância alimentar. Confundiu-a com a trufa branca, cogumelo subterrâneo encontrado em algumas regiões da Europa. Estranhou a falta do perfume típico, mas não ligou. Na Espanha, existem trufas brancas desprovidas de aroma. As diferenças que caracterizam as duas especialidades só foram percebidas um par de anos depois pelo soldado, cronista e historiador espanhol Pedro Cieza de Leon (1520-1554), autor da Crônica do Peru. O fato é que os europeus desconfiaram da batata, talvez porque sua chegada ao Velho Mundo coincidiu com um período de epidemias. A população colocou a culpa na novidade. Tanto que, na Irlanda, até hoje sua colheita é saudada com uma espécie de exorcismo.
Os primeiros países europeus a se convencerem da importância alimentar do tubérculo exótico foram a Espanha, a Itália do norte e a Irlanda. Outros preferiram por muito tempo passar fome a ter de plantá-lo. Na Rússia e Prússia do século XVIII, os soberanos precisaram ameaçar cortar as orelhas e o nariz dos camponeses que se recusassem a cultivá-la. Na França – país que agora se atribui orgulhosamente a invenção do purê e da batata frita -, a forte resistência só foi vencida no fim do século XVIII graças aos esforços do farmacêutico militar e agrônomo Antoine Augustin Parmentier (1737-1813). Capturado pelos prussianos durante a Guerra dos Sete Anos, ele quase morreu na prisão. Libertado, voltou a Paris. Saudado como herói, afirmava ter sobrevivido porque comia batata. Na capital francesa, tornou-se chefe do Hôtel des Invalides e, portanto, uma autoridade nacional em saúde pública.
No fim do século XVIII, Parmentier julgou ser a batata uma solução para a fome que grassava no país. O problema é que a população não reconhecia a importância nutritiva da planta. Então, com a cumplicidade do rei Luís XVI, ele organizou um almoço em homenagem ao soberano e o divulgou amplamente. O rei se apresentou com um buquê de flores de batata no alto do chapéu. Após a refeição, cedeu a Parmentier o atual Champ-de-Mars para cultivar experimentalmente a planta. A fim de provocar a curiosidade humana, ele colocou um exército em volta da lavoura. O povo achou que escondia alguma coisa preciosa. Durante o dia, ninguém podia se aproximar. À noite, os militares fingiam estar distraídos e as pessoas entravam na propriedade para furtar mudas. Foi a principal estratégia de propaganda de um alimento que, enfim, conquistou o paladar francês. Parmentier espalhou o novo alimento e sugeriu maneiras de prepará-lo. Seu nome costuma ser associado a diversas receitas, de variados autores. São os ovos Parmentier, carré de cordeiro Parmentier, bacalhau Parmentier e hachis Parmentier, entre outros. Com o abrandamento das superstições, a planta se difundiu pela Europa. Na Segunda Guerra Mundial, consagrou-se como alimento imprescindível, salvando milhões de pessoas da inanição fatal.
A batata gosta de temperaturas amenas e chuvas bem distribuídas. No Brasil, é plantada em todo o território nacional e praticamente o ano inteiro, sobretudo em São Paulo, no Paraná, em Minas Gerais, em Santa Catarina, no Espírito Santo e no Rio Grande do Sul. Contém vitaminas A, B1, B2, C, bem como potássio, fósforo, sódio e magnésio. A voz do povo a invoca com originalidade. Denomina-se “batata” tanto a barriga da perna como o bíceps desenvolvido e o nariz grosso e chato. É usada para designar a inchação provocada pelo bicho-de-pé. “Batata quente” significa uma situação trabalhosa, complicada. “Morder a batata” é ingerir bebida alcoólica demais. “Na batata” quer dizer com absoluta certeza. “Ser batata” equivale a não falhar. “Ir plantar batatas” é o mesmo que ir às favas. Entretanto, temos a batata em altíssima conta. Costumamos usá-la para fins nutritivos, vale dizer, exclusivamente pacíficos. Apesar de o humanitismo e o romance Quincas Borba serem criações nacionais, não se tem notícia de um brasileiro que haja eliminado o semelhante para conquistar batatas.
https://reinodabatata.wordpress.com/page/18/
Em construção
Professora Wilm@

domingo, 22 de maio de 2016

Trabalho do 2º Bimestre Escrita e mobilidade fazem o nosso Castelo


Produzir um Miniconto a partir da leitura 

da Obra As Batalhas do Castelo de Domingos Pellegrini

Primeiramente, saberemos o que é miniconto.


O miniconto
Miniconto é um tipo de conto muito pequeno, digamos que com no máximo uma página, ou um parágrafo. Alguns dizem que ele é o primo mais novo do poema em prosa, outros apontam as fábulas chinesas como origem, de certo é que desde meados do século XX o conto tem experimentado – com sucesso – formas extremamente breves a partir de textos de gente como Cortázar, Borges, Kafka, Arreola, Monterroso e Trevisan.

Nos últimos anos este tipo de ficção ganhou muito espaço na literatura de diversos países. Nos Estados Unidos, antologias sucessivas foram lançadas com textos cada vez menores culminando na chamada microfiction, cuja antologia inaugural reúne textos de até 300 palavras. A literatura latino-americana, responsável pela difusão inicial do gênero, tem não apenas apresentado antologias como também estudos acadêmicos acerca do que eles chamam de “microrelato”. É de um hispano-americano, o guatemalteco Augusto Monterroso, o micro mais famoso:




Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.No Brasil, há uma grande quantidade de autores publicando livros com ou exclusivamente de minicontos. Alguns valores importantes para o miniconto sãoconcisãonarratividadeefeitoabertura e exatidão.
Concisão


A velha insônia tossiu três da manhã. 
Dalton Trevisan (Ah, É?, 1994)
Ser breve e ser conciso são coisas diferentes. O miniconto precisa ser conciso, mais do que breve. Nesse sentido não deveríamos falar de um limite de número de letras, palavras ou páginas para o miniconto, e sim num limite conceitual. A história que ele conta precisa caber exatamente naquele pequeno tamanho, não mais, não menos. Não pode-se atrofiar uma narrativa, tampouco espichá-la. Por isso nem todos os temas e enfoques podem ser transformados em miniconto. Na verdade, raros o podem. Uma tosse às três da manhã pode ser a superfície de um miniconto; a insônia, não.

Narratividade


Caiu da escada e foi para o andar de cima. 
Adrienne Myrtes (Os cem menores..., 2004)
Se a brevidade originada pela concisão diferencia o mini do conto tradicional, é a narratividade que primeiro diferencia o miniconto do haicai ou do poema em prosa (que não necessariamente são narrativos, ainda que possam sê-lo). Ser narrativo significa, por óbvio, narrar algo, contar a passagem de uma personagem de um estado a outro, implicitamente (como no mini do Trevisan) ou explicitamente (como neste exemplo da Adrienne). Sem essa narratividade, corre-se sempre o risco de fazer uma simples descrição de cena em vez de um miniconto.

Efeito

"TV NO QUARTO" | E os pais na sala, assistindo a um documentário sobre os dramas da adolescência.
Leonardo Brasiliense (Adeus conto de fadas, 2006)
O grande mestre do conto moderno, Edgar Allan Poe, talvez tenha sido quem primeiro colocou o efeito pretendido no topo dos objetivos do escritor. Ainda hoje é considerado um bom conto aquele que consegue provocar algo no leitor, seja medo, compaixão ou reflexão. Quando temos uma simples descrição, não chega a ocorrer no leitor este efeito, por menor que seja, enquanto em uma narrativa como a do Leonardo Brasiliense o leitor não tem como não pensar na sua adolescência ou na sua atitude com os próprios filhos.

Abertura

Uma vida inteira pela frente. O tiro veio por trás. 
Cíntia Moscovich (Os cem menores..., 2004)
Como pode um texto tão pequeno provocar efeito em quem lê? A resposta está no próprio agente da questão: o leitor. À Cíntia coube contar a história de uma pessoa que morreu assassinada numa representação contundente da banalização da vida. Mas se a vítima é um homem, uma mulher, gorda, magra, nova, velha, se mora na cidade, no campo, noutro país, se era bandido ou mocinho, amante ou amado, casto ou tarado, nada disso está dito, cabe ao leitor preencher as lacunas a partir de seus conceitos e experiências. Muito possivelmente um leitor urbano como nós verá aí uma ironia com a insegurança que ceifa a vida de tantos jovens. Mas talvez um trabalhador suburbano veja a covardia de quem mata pelas costas, e não o futuro perdido por quem morre. Essa abertura é uma das riquezas do conto potencializada no miniconto.

Exatidão

"AVENTURA" | Nasceu.
Luís Dill (Contos de Bolso, 2005)
Tudo bem que a abertura do texto para o leitor seja aspecto fundamental do miniconto, mas é importante que o autor seja suficientemente claro para criar o efeito desejado no leitor, e não seu oposto, sob o risco de não ser compreendido. Para tanto a escolha de cada palavra em cada posição é fundamental, quase como em um poema, pois disso depende o sucesso ou não da narrativa. Se Cíntia Moscovich escrevesse “Teria sido um ótimo escritor, mas o tiro veio por trás” o texto perderia seu recurso estético causado pela oposição frente/trás, vida/morte, comprometendo até o efeito semântico. Mesma coisa, e mais ainda, no texto “Aventura”, do Dill. Não sei se existem outras duas palavras que se casem tão bem para formar uma narrativa instigante, aberta e ao mesmo tempo repleta de significados como esta. São apenas duas palavras, quinze caracteres tão bem dispostos que é difícil não sentirmos seu efeito. E percebermos ali o cerne do conto e da literatura.

 Marcelo Spalding | lançado em jan/2013

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